quinta-feira, julho 30, 2009

Últimas loucuras na terra das geishas

Hoje é a minha última noite no Japão. E, como tem vindo a acontecer, tenho andado de jantar em jantar a dizer sayonara ao pessoal.

Sinceramente, neste momento não estou num turbilhão de emoções. Parece-me que vou ali e já venho, como tantas vezes aconteceu. Não sei bem como explicar. Estou triste, mas estou contente. E nem parece que me vou embora de vez...

Na segunda feira tive o prazer de ir ao Parkplace jantar com o Shin.


E o Leighton. Que está cansado desta terra...



Falámos sobre imensas coisas.


E já hoje, quinta, o Shin bate-me à porta há bocado, depois de ter percebido que já não tinha telemóvel. Veio aqui de propósito para me dizer que amanhã vai levar-me a Beppu, ao autocarro. Bem cedinho de manhã!
Eu fiquei super feliz. Pela oferta. E, embora eu tenha insistido que não era necessário, ele cá estará às sete da matina.

Na terça fui jantar com a Ikuko. Essa grande querida, com quem trabalhei em Ueno e com quem dei algumas das minhas melhores aulas no Japão.



Não somos lindos?

Claro que sim!

Antes de ir ter com ela, ainda mandei as minhas duas últimas caixas para Portugal - por favor nada de referências ao número absurdo de caixas que já mandei para a Lusitânia!
O tipo dos correios que cá veio foi o mesmo da última vez e falámos que nos fartámos sobre muitas coisas. Um momento bem passado, intervalado com impressos e fita cola e maquinetas que fazem contas e emitem recibos.

Na quarta de manhã fui até Ueno. Os miúdos, que apesar das férias estão na escola para o desporto, assim que me viram começaram a gritar o meu nome e vieram ter comigo. E eu, claro, felicíssimo com isso!
Passei por lá só para dizer um sayonara bem rapidinho, que tinha que ir trabalhar às onze e meia.
Falei a muita gente, dei muitos passou-bens e sentei-me a falar com o director que me passou um envelope com algum dinheiro. Para, segundo ele, comer qualquer coisa que eu goste...
Mas o mais giro foi ler o que estava escrito - em inglês! - no envelope: Best wishes to you and your family. From Y S (Best Principal in Japan). E depois ainda me perguntou é verdade, não é? Ao que eu respondi com uma valente risada e um sincero yes!
Aquele homem é extraordinário. E ele ainda com a minha Taeko-san, a passa da prof de Arte, a Shoko, o vice presidente e mais uns quantos profs acompanharam-me até à porta onde me disseram muitos sayonara e acenaram até deixarem de me ver.

Saí dali todo reconfortado, claro está!

À noite fomos jantar ao sítio do okonomiyaki maravilha. Porque havia que acolher algum do pessoal acabadinho de chegar nessa tarde. Como diria o JT, fresh meat!

Mas cá ficam umas fotos ligeirinhas...



Cá estão a Sophia e o Kain, directamente da Tasmânia. Foram eles que me compraram tudo cá em casa e são eles que cá vão ficar.
Já vieram cá a casa, para tratarmos de passar a luz e o gás para o nome deles. E também para falarem com a nossa querida senhoria. Tem uns óculos muito giros, pá! Também quero, que não tenho óculos nenhuns!




A Judy, do Canadá.









Foi nesta noite que disse adeusinho à Melissa. Também se vai embora amanhã!


Hoje, quinta, fomos com o pessoal novo ao banco e à loja de telemóveis.
Esta gente aqui é toda passada da cabeça... E o banco até tem um aquário virtual... Acham normal?!



Cada um de nós - eu fui fazer um depósito enquanto o pessoal abria contas - saíu dali com uma história para contar... A minha foi mesmo gira: o meu nome está escrito em letras maiúsculas na minha caderneta. Mas eu preenchi o meu nome com maiúsculas e minúsculas, como deve ser... E até preenchi na ordem que eles querem, que nada tem a ver com a ordem como digo o meu nome.
Mas então não é que a tipa se vira para mim e me diz que o nome não está igual ao da caderneta porque não está todo em minúsculas... E começa a puxar de num novo papelote ao que eu lhe digo é igual e eu não preencho mais papel nenhum.
E eu já a ferver por dentro.
Relembro que era um papel de depósito e que se tratava do meu nome e não da minha assinatura!
Esta gente é louca e preocupa-se com coisas que não interessam a ninguém! Depois não é de admirar que os resultados do seu trabalho sejam o que são...

Bem... A coisa passou, com outras histórias pelo meio, mas eu tenho que me despachar que tenho que ir dormir!

Depois do banco, fomos à Softbank, a antiga Vodafone cá do sítio... À frente da qual a Emily e o Yoji tomaram o pequeno almoço...


Saímos e ainda tirei uma foto com o Yoji, coisa raríssima...


Eu fui rapidamente ter com a Yuriko para lhe dar umas coisas... Para voltar e me deparar com o caos total... Então não é que estavam a exigir o cartão de residência e um cartão de crédito japonês para que eles pudessem comprar um telemóvel?! Eu só disse ao Tomek vão ter comigo à loja que eu vou conseguir-vos o raio dos telemóveis!

É que adquirir um telemóvel aqui é quase tão complicado como comprar uma casa e leva, nos dias menos maus, uma hora... Porque é isto e aquilo, papel para aqui, cópia para ali, plano daqui, plano dali, amostra de telemóvel aqui e outra ali... E depois as meninas - que a minha prima teve o prazer de conhecer! - são umas atadinhas de primeira e nunca sabem nada! Mais uma amostra da eficiência japonesa...

Mas, bem, chegámos ali e pus o Tomek a traduzir. Só lhes disse queremos telemóveis. E não temos cartões de crédito japoneses. Ela começou a cacarejar e o Tomek atirou-lhe com o facto de o Jeremy ter comprado um iPhone recentemente sem nenhum cartão de crédito japonês!

A tipa lá viu que não tinha desculpa e a coisa compôs-se... E a palavra discriminação já estava na ponta da minha língua, pronta a saír disparada. Coisa que nuna usei na minha vida!
Filhas da mãe!

Tudo se resolveu. Com a ajuda de uns chupa chups que elas lá tinham de graça e que a gente atacou de imediato.



E muita sorte tiveram elas em a gente não os comer todos!

Ao almoço fomos comer ao restaurante brasileiro. Curiosamente, fecha amanhã...











O Taka também almoçou com a gente...


Para o nosso adeus final!


Voltei às meninas dos telemóveis para cancelar o meu e vim para casa com a Sophia e o Kain para tratarmos de coisas e falarmos muito.

A minha querida Keiko-sensei passou por cá para me dizer adeus e me deixar uma prendinha... E prometeu-me que um destes dias irá até Portugal! Eu espero bem que sim!


Vi o meu Star Trek da ordem e fui jantar sozinho. É que com tanta coisa à minha volta, ando exaurido e um jantarinho all my myself soube-me muito bem!


E o pessoal do restaurante deu-me uma predinha! Não são uns kikos?
Vinha com uma mensagem e tudo: Dear Angelo, Thank you. I enjoyed it very much. Let's get together again sometime. Take care. From Peterhouse staff.



E eu triste mas feliz ao mesmo tempo.

Ao serão, disse adeus ao pessoal em casa do Yoji, ao Tomek, à Hiromi e ao JT. E a Yuriko também passou por cá para um adeus em português especial!

Aqui termina, então, a minha aventura japonesa. De uma forma simples, como eu queria.
Aqui termina uma aventura louca de quatro anos que me transformou enquanto pessoa.
Aqui termina um ciclo em que sofri muito, em que chorei, mas, e é isso que mais terei comigo no coração, um ciclo em que fui muito feliz, aprendi e vivi muito, fiz muitos amigos fantásticos e tive experiências inigualáveis!

Agora parto para uma outra pequena aventura e mal posso esperar por chegar a Portugal depois de dois anos de ausência! Há tanta coisa que preciso de reaprender!

Até breve!

6 comentários:

pinguim disse...

É o fim de um ciclo que jamais esquecerás; a vida é feita destes ciclos e agora algo novo virá.
Bom regresso.

Anónimo disse...

Adorei a bandeira do brasil como fundo... :)) Essa aventura vai deixar saudades!
Beijocas! gil

di&cris disse...

Estou a conhecer essa embalagem de arroz doce!!!
Boa viagem de regresso, primo...cá te esperamos com um valente Konichiwa:-)

Beijinhos das tuas primas preferidas

Aline Lima disse...

Eu tive essa mesma sensaçãp, de estar triste e feliz ao mesmo tempo. Tenho certeza que você vai ter tanta coisa em mente quando estiver no avião...

Uma ótima viagem e tudo de bom nessa nova fase de sua vida :-)

PS: trate bem os cabin crew :-)

V. disse...

Moço, quase que me puseste a chorar baba e ranho!

Até já ^^

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The White Scratcher disse...

È preciso alguma distância para um balanço objectivo. As fases serão muitas, desde o vazio até ao reajuste dos hábitos.
A amizade e a ideia de ser um privilegiado fica para sempre.
Qualquer coisa aconteça na vida,,, ninguem nos tira a vivência.

Abraço e boa viagem