quinta-feira, novembro 19, 2009

Considerações metabloguísticas

Não sei porquê, hoje apetece-me falar do blog. Tenho andado a pensar nisso o dia todo.

Comecei-o há pouco mais de quatro anos. E, como disse à Ana, hoje, à hora do almoço, já não consigo viver sem ele.
Comecei-o por uma razão muito simples: não queria ter que contar as mesmas histórias lá do Japão vezes sem conta. Sobretudo ao papá, à mamã e à vovó. E, claro, aos amigos.
Mas depois apercebi-me de que, e tendo eu, felizmente, tantas histórias para contar, sobretudo quando andava lá nos orientes, o blog funcionaria como um óptimo testemunho para memória futura. Pequenas coisas de que me esqueceria ficaram assim perpetuadas. Grandes momentos da minha vida também o ficarão. Sobretudo os seus detalhes. O que é óptimo, porque eu esqueço-me de tudo, que também já não vou para novo.

Com o andar do tempo e o crescimento da coisa, fui fazendo novos amigos. Pessoas que já tive o prazer de conhecer e que fazem parte da minha vida. Pessoas que quero muito conhecer e sei que tal virá a acontecer (depois não se queixem de insónias ou pesadelos com suores gelados).
E tenho aprendido tanta coisa destas trocas entre mim e esta gente que, no fundo, é desconhecida. E sinto-me maravilhado com isso e muito, muito mais rico como pessoa.

Quem me conhece sabe bem que o que eu sou aqui, sou-o também em carne e osso. Mais carne que osso, é bem verdade. Porque não sei ser de outra forma. Odeio mentir e mentiras. E não sou nada dissimulado. Por isso é que às vezes até escrevo para aqui coisas que podem chocar algumas pessoas. Temos pena.
É também por isso que perspego aqui com tudo e mais alguma coisa. Até fotografias minhas em cuecas, à la João Jardim mas com muito mais estilo, há!

Às vezes ando para trás no tempo aqui no meu estaminé. Vou à side bar e carrego numa qualquer data e toma lá disto. E leio-me. E vejo como mudei como pessoa, como as coisas mudaram.
E digo-o sem pingo de saudosismo, que se há coisa que não sou é saudosista. Mas, como diria o grande Vítor Espadinha, "recordar é viver". Ó se é.

Escrevo muito aqui. E fi-lo muitas vezes, no meio da solidão japonesa, para me confortar o espírito. Para estar junto não sei bem de quem. Para me sentir menos só, menos mal.
Mas também escrevi muitas vezes sobre maravilhas daquela terra, sobre grandes momentos da minha vida de geisha de tamancos nos pés.
Hoje escrevo porque, como já disse, não vivo sem isto. Acho que sou um agarrado.
E, como digo a toda a hora, regozijo-me cada vez que leio um comentário. Cada vez que alguém que já ía seguindo as minhas baboseiras me deixa um olá. Sobretudo porque sinto que é uma nova pessoa na minha vida.

Eu gosto muito de pessoas. O processo de conhecer alguém é uma coisa que me maravilha, que me extasia, porque sinto que tenho todo um novo mundo à minha espera. Dar-me a conhecer e construír uma amizade com alguém novo é uma coisa que, para mim, é preciosa.
Amo os meus amigos, como tantas vezes o disse. Embora, quem está na minha vida saiba que não preciso de dizer isso. Como também não preciso que mo digam, porque esse amor é sentido todos os dias. E senão fôr todos os dias, sê-lo-á quando calhar, porque não será por isso que a amizade de esvaírá!

Acho que hoje seria capaz de escrever o mais longo post deste blog. Um canto que é meu, também de dentro de mim, mas que adoro partilhar.

Sobretudo porque hoje tenho estado um bocado ranhoso-porco. Pela primeira vez em muito, muito tempo.
Eu que sou um bem-disposto, fico frustradíssimo quando estou menos bem disposto. Mas também sei que amanhã será outro dia e acordarei novamente lindo e maravilhoso, para citar a minha sábia Grace.

E, pior, nem sei porquê que estou assim! Será porque sinto que estou para aqui desperdiçado? Porque almejo por algo que me tintile e me faça pensar? Que me permita ter uma vida mesmo minha novamente? Será porque ainda não tenho o raio da minha cama, da qual estou à espera há dois meses? Será porque tenho que ir ao Amadora/Sintra partir a loiça toda porque não têm consideração?
Pequenas coisas que, em dias normais, seriam nada. Mas hoje não são.

Mas também vos digo - e podem chamar-me de mimado que me estou nas tintas - quando chegar a mamã e me der um beijão e eu reclamar um abraço maior do que o normal, acompanhada do papá a fazer-me rir e com alguma coisa para me dar, o mundo vai parecer melhor.

Não quero parecer paternalista, nem arrogante, nem nada do género, mas este amor, este, sim, é sentido todos os dias é a melhor coisa do mundo. E só eu sei como me custou ter estado tão longe dele. E só eu sei como me soube a diamantes Swarovski tê-los aqui a tratar de mim quando estive doente!

Tive outros amores, bem assolapados - daqueles que não falo aqui, porque, afinal, tenho direito a não escrever tudo, tudo, tudo! - mas não são, não serão a mesma coisa.

Porra, que já escrevi tanto. Mas já me sinto bem melhor. É como digo: este blog é, para mim, uma verdadeira terapia! E muito mais barato do que um psicólogo!

11 comentários:

Anónimo disse...

E porque há “dias assim” aqui fica uma beijoca grande com um valente brinde ao teu blog que me trouxe de volta à tua vida (virtual e com direito a um café mês sim, mês não! eheh!).
Gosto muito de ti Ang. APENAS por seres quem és…
Inês

joão disse...

"olá!"

D.er N disse...

Olá (novamente)!

Astrid disse...

Pois... sabes do que mais? Crescemos a ouvir que a vida pode terminar a cada instante e, felizmente, há pessoas que acreditam que a vida pode é começar a qualquer instante... navega amigo, navega... :)

Beijos, flores e estrelas *****

Filipe M. disse...

Hm. Eu infelizmente não sou do tempo nem das Crónicas dos Orientes nem das fotografias de cuecas!

Mas, quem sabe um dia não vou 'violar' a tua sidebar e descobrir alguns anos de posts perdidos, sim porque comparado contigo ainda sou uma criança neste mundo dos blogs.

armilar disse...

É só para deixar um 'hello' de um, agora, ex-'lurker'. Keep it up!

Ana Maria disse...

Também eu devo muito a este Blog. Permitiu a reaproximação, se bem que o nosso Ângelo está sempre presente.
Quando passa nas nossas vidas deixa a marca indelével e quem o conhece e priva com ele sabe bem a que me refiro e decerto concordarão comigo.
Quanto ao berloque , propriamente dito, ai o que eu tenho viajado..... maravilhoso. Até fui á Nova Zelândia.
Livra-te só de deixares de escrever. E , quanto a seres mimado, és e muuuuiiito.
Beijo

Apple disse...

Querido Angelo, adorei este texto, tão bonito, tão de alma. Vir aqui é um bálsamo.

Beijinho

Lady Oh my Dog! disse...

ohh este texto está tão sincero..
gostei muito :)

Hydrargirum disse...

E tu es isto tudo e muito mais nestas tuas palavras....
O que eu gostei deste post...
Do teu coracao para os nossos!

JS disse...

E eu gosto muito de vir aqui te visitar.

Acho que és uma pessoa muito bem disposta que gosta de viver o dia a dia com um sorriso nos lábios. és claro e transparente e além disso és amigo da Ritinha!!!

Escrever é mais barato queirao psiquiatra...mas se continuas a postar sempreque comes EU VOU TER DE IR AO NUTRICIONISTA!!!!

Um abraço**