sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Desta e que nao estava nada a espera

Entao nao e que, no outro dia, quando vinha a sair do comboio e fui comprar pao la na padaria da estacao dei com esta coisa perspegada na montra!?


Um doce de Portugal!? Nem podia acreditar, mas la perguntei a menina e ela disse-me que era uma massa com acucar e canela com recheio de compota de maca. E ainda experimentei um bocadito... Mas eu e as compotas... Fosse um bolo seco e teria comprado uns 10!
Mas nao lhe conheci o nome "boleima". Alguem conhece?

6 comentários:

Anónimo disse...

Ai Amigo...se não fosse aqui a menina...então cá vai: Boleima é um doce Alentejano (pelo menos eu como quando tou no Alentejo! ehehe!) Eu gosto mais dos que são apenas pão com açucar e canela. Os de doce não gosto tanto (conheço com doce de maçã e de gila)!
Após esta explicação culinária me vou...
Bjs. Inês**

Anónimo disse...

Muito obrigado ao anónimo anterior pela explicação.

Os portugueses foram os primeiros ocidentais a chegar ao Japão. Fizemos aqui o que fizemos em todo o mundo: nutrir relações e miscegenar. Era a única forma de preservar "conquistas" com os poucos recursos humanos que tinhamos. É certo que、durante quase 100 anos, tinhamos a tecnologia de marinha de guerra mais avançado do mundo, mas há calor humano (na maioria das vezes sem objectivo claro) nos portugueses.

Isto deixa marcas. Só estivemos no Japão 100 anos (de 1543 a 1639) e fomos expulsos por causa da cristianização à força promovida pelos espanhóis que nos governavam na altura. Por causa disso o Japão fechou-se aos estrangeiros até à segunda metade do séc. XIX: não podia entrar nenhum estrangeiro nem sair nenhum japonês! A excepção foi feita aos holandeses a quem era permitido negociar em Nagasaki (cidade fundada pelos portugueses - por isso a única cidade sobre colinas no Japão (o que a preservou muito na bomba atómica). Ora os holandeses estiveram no Japão quase 300 anos e os portugueses apenas 90. Todavia os holandeses quase não deixaram legado cultural aqui. O português é infindável: na língua e na cultura, nomeadamente na culinária.

Na língua há centenas de palavras de origem portuguesa e cerca de 100 são usadas diariamente. Por exemplo:
Karameru – molho de caramelo (não confundir com Kyarameru que é o “rebuçado” trazido pelos americanos).
Compeito – rebuçado (deriva de confeito).
Pan – pão.
Sarada – salada.
Burokuri – bróculos.
Bisuketo – biscoito.
Yoropa – Europa. É curioso que os japoneses chamam ao Euro “yuro” porque a palavra é recente e, por isso, vem do inglês, mas à “yuropa” (pronúncia inglesa) chamam “yoropa” porque a palavra não vem do inglês, mas do português.
Iguirissu – Inglaterra (vem da palavra “inglês”). O primeiro mapa mundo, com o nome de todos os países (na altura) que os japoneses receberem foi oferecido pelo Rei de Portugal e está guardado preciosamente no Palácio Imperial.
Biduro – vidro (que os japoneses não conheciam). Hoje a palavra inglesa “glass” tornou-se a designação de vidro corrente, pelo que “biduro” passou a designar vidro antigo, como os vitrais, por exemplo.
Kopu - Copo
Baranda - varanda
Botan – botão.
Kappa – casaco quente, como um sobretudo.
Karuta – Carta de jogar (actaulmente usado mais no sentido astrológico)
Missa – missa.
Kurisuto e Kurishitan – Cristo e Cristão.
Konto – história para crianças.
Meturo – metro (medida)
Ritoru – litro (medida)
Orugan – orgão (música)
Shabon – sabão
Tabaco – tabaco, cigarro.
Zero – zero.
Etc, etc
Há muitas palavras. A mais engraçada de todas é talvez a palavra “né?” que é usada com o mesmo som e da mesma maneira que os portugueses a usam “Né?=Não é?”. A diferença é que aqui é usada em enorme abundância.

Os portugueses construiram aqui o primeiro hospital, formaram a primeira orquestra sinfónica (ou polifónica), trouxeram a primeira impressora, trouxeram a primeira espingarda, ensinaram a arte de marear em alto mar e, por isso, Capitão de navio é Kapitan, foi num barco portguês que os primeiros japoneses foram á Europa (o primeiro sítio que pisaram na Europa foi Lisboa!). Os japoneses sabem isto!

Na culinária são incontáveis os pratos de origem portuguesa. Os mais famosos são a Castella, que é o pão de ló (a palavra castela, vem de claras em “castelo”, cuja feitura os japoneses não conheciam, tal como os fios de ovos que é hoje um doce vulgar em muitas regiões do Japão, e a que eles chamam “keiran soumen” que quer dizer “fios de galinha”). Outro prato muito famoso e que, também, todos os japoneses sabem que tem origem portuguesa é a Tempura cuja palavra deriva de tempero. São os nossos fritos de vegetais (como os peixinhos da horta) e de peixe. Atenção porque a Castella e a Tempura são os pratos nacionais do Japão, muito mais importantes do que o sushi ou o sashimi!!! São as ofertas que o imperador faz aos seus convidados: como o presidente Bush quando aqui esteve há pouco.

Como os portugueses estiveram sobretudo na ilha de Kyushu (onde está Oita onde o Ângelo vive - e que é geminado com Aveiro porque é a origem dos doces de ovos no Japão), ou Nagasaki, encontram-se muitas palavras de origem portuguesa que não são correntes em todo o Japão. Uma delas é a palavra Boru (Bolo). Não sabia da existência deste Bolo de Maçã, mas tenho pena de os portugueses e as empresas portuguesas não explorarem estas oportunidades...

Sobretudo, depois do Euro2004, o nome do país foi muito divulgado. Desde então para cá o número de restaurantes portugueses (alguns com 100 lugares e sempre cheios!) em Tóquio cresceu de 1 para 8 (infelizmente só com a vontade dos japoneses e sem um tostão de investimento das empresas portuguesas). O Euro foi o evento mais importante para a Economia portuguesa nos últimos séculos! Desde que as empresas o aproveitem e os portugueses queiram trabalhar!

Pena que o Governo não tenha então aproveitado para fazer uma campanha (maciça, cara e em todo o mundo desenvolvido) para modelação da imagem de um país moderno, avançado na tecnologia, na moda, um país de futuro. Que combatesse a imagem de país atrasado, de pouca instrução e sem “status” que Portugal tem e que se cola aos nossos produtos. Tenho a certeza que o Ângelo sente bem do que falo! Quando leio nos jornais portugueses imensos comentários contrários à ideia de Portugal organizar um Mundial de Futebol, porque o que é preciso é construir hospitais e escolas e estradas, não sei se hei-de ficar espantado, se triste. Então as pessoas não percebem que um Mundial de Futebol, não é Futebol? Um Mundial de Futebol é Marketing e se o Governo apostar forte na promoção do país, então há possibilidade de facto de aumentar significativa e sustentadamente as exportações. E é através disso que, com a criação de emprego e mais impostos pagos, há dinheiro para construir mais hospitais e escolas e estradas e ter mais dinheiro no bolso, etc. Lembro-me imensas vezes da visita que o Otelo Saraiva de Carvalho fez à Suécia, no “Verão quente” de 1975, vangloriando-se para o Ollof Palm (que era o “campeão” do melhor nível de vida do mundo na altura – a Suécia) dizendo-lhe: “nós em Portugal já acabamos com os ricos”. O Ollof Palm respondeu-lhe de imediato “que curioso, nós na Suécia já acabamos com os pobres!”.

O Japão é a 2ª economia mundial e gosta de nós (deve ser único nos países desenvolvidos). Que pena as empresas portuguesas, e os portugueses (que as coisas não são dissociáveis) não arejarem a cabeça e aproveitarem as oportunidades. Até esse pacote de Boreima (Boleima) que fala de Portugal e tem a bandeira portuguesa, é 100% iniciativa japonesa. Ó Ângelo, não devemos tratar os japoneses com gratidão?!...

Antonio Burnay

Anita disse...

já aprendi alguma coisa hoje com os comentários...boleima:))) quem diria:)

ehehehe

beijo e um excelente fds****

Rosarinho disse...

uauuu mais uma vez aprendemos imenso com estes comentários.

Realmente nunca tinha visto esse bolo, so aqueles pasteis de nata deslavados que já mostrei no blog.

Há uma coisa que me indignou muito foi saber que existem restaurantes portugueses no Japão ..ai que saudades de ir a um restaurante português. Não sei se pode fazer publicidade :P mas se poder partilhar algumas localizações agradeciamos!!!! Já estou com água na boca por uma carne de porco à alentejana sem ser insonsa ou dura (como a minha portanto!!)

Leonor Sousa disse...

De facto, tal como a Inês, eu também só conheço a Boleima alentejana.

Beijinhos aqui da Metrópole, que se vai agitando entre gaffes do Primeiro Ministro e o medo da nova onda de crimes violentos, a arrasar com a fama de sermos um povo de supostos brandos costumes :)

Anónimo disse...

Adoro boleima!Costumava comer quando passava as férias de Verão em Flor da Rosa, Crato, no Alentejo. Há muitos anos que não como...Quando vieres traz para eu relembrar...1beijo Helena