sexta-feira, fevereiro 04, 2011

Do Egipto e vizinhos

Não sou nenhum politólogo, mas eu bem avisei que isto iria acontecer, depois do golpe popular na Tunísia. 
A revolta chegou agora ao Egipto e não dá sinais de desacelerar. O que pode ser um problema, porque, como toda a gente já terá visto, já há confrontos entre diferentes facções.
Tenho cá para mim, porém, que o próprio governo tem instigado os seus apoiantes a irem para  as ruas e desatarem às pedradas e pontapés aos detratores do regime. O que não deixa de ser típico dos regimes autoritários onde o senhor presidente quer, pode e manda.
Tem sido muito triste ver a porradaria que para lá vai e o senhor Mubarak refugiado algures fora do Cairo a dizer - qual coitadinho - que está farto de ser presidente... Pois se está farto, que se demita! Que desapareça do mapa!
Mas o problema maior poderá ser, precisamente, esta sua saída de cena... Até agora, o Egipto tem sido um local relativamente calmo em termos de terrorismo e insanidades afins. Tudo por causa do controlo apertado levado a cabo pelo regime. 
O Egipto tem sido um grande aliado dos Estados Unidos e até firmou a paz com Israel, depois da cabazada que levou no Sinai... Mas, para bem e para o mal, as coisas têm funcionado desta forma.
Mas já estou bem a ver o que se avizinha: a democracia instala-se no Egipto e, com ela, tal como sucede com a extrema direita em alguns países da Europa, lá virão os grupos islâmicos radicais instalarem-se no parlamento e no poder e, depois, é que a porca vai mesmo torcer o rabo.
Para já, os Estados Unidos, esses troca-tintas do raio, andam a dizer que uma transição cuidada para a democracia é que seria bom trá lá lá e que o mundo assim é que seria lindo. Aliás, já tinham feito uma exigência semelhante à Palestina e Faixa de Gaza... Mas quando os "terroristas" chegarem ao poder - por via democrática! - os Estados Unidos cortam relações, embargos serão impostos e quem se lixa é o mexilhão. É como digo: basta olhar para o lado para ver o que se vai passar.

Com isto, não quero dizer que concordo com regimes que silenciam quem de si discorda. Sou um defensor da democracia! Mas, como toda a gente sabe, esta tem riscos e há que saber lidar com eles. Não basta pedir transições pacíficas e às bolinhas côr de rosa. Há que seguir o caso atentamente e, de preferência, minimizando o sofrimento de quem luta pela sua liberdade. Agora e depois.
Caramba, na terra dos faraós, até os jornalistas têm sido atacados! E isso, para mim, é dos piores sinais que um regime pode dar da sua luta pela sobrevivência.

Mas o Egipto é só um exemplo. Nestes últimos dias, o mundo árabe a ocidente tem andado de pantanas! Já há manifestações planeadas em Marrocos; o Bouteflika da Argélia irá finalmente levantar o estado de emergência vigente há 19 anos; o rei da Jordânia já escolheu um novo primeiro ministro para fazer reformas; até a Síria já anda a pensar em mudar coisas, não vão os Assad perder o poleiro!
E, no meio disto tudo, é interessante ver como os telemóveis, as redes sociais e os jovens têm um papel importantíssimo! É que mesmo que os regimes os queiram silenciar, há sempre volta a dar!

E assim se aguardam as cenas dos próximos capítulos. E só espero que esta novela chegue ao fim rapidamente, porque as mortes são sempre de lamentar.

Recuso-me a tirar o "p" ao Egipto! Era o que me faltava!

1 comentário:

Daniel Silva (Lobinho) disse...

Mas não é so o Egipto. Também o Sudão, por exemplo. As convulsões levam sempre muio tempo :(