sábado, agosto 21, 2010

A importância de ser feliz

Ontem, em conversa com duas amigas em pleno bordel*, falávamos da importância de se ser feliz. Da importância de radicalmente darmos um salto para o desconhecido. Sobretudo nas circunstâncias actuais.
Uma dessas minhas amigas apercebeu-se que não era aquilo que fazia que a completava, que a preenchia. Mesmo com uma filha, casa, cão e os amigos para sustentar, rescindiu o contrato dela e vai partir para outra coisa que terá muito mais a ver com ela.
A outra amiga apercebeu-se que, apesar de não estar no meio pelo que ansiava, está feliz com o que faz, sente-se completa.
Eu rematei e disse-lhes que também estou felicíssimo. Ter saído do Japão, pondo assim um ponto final na maior aventura da minha vida, fez-me um bem enorme. Estava cansado e voltei. Apesar das dificuldades todas que é ter voltado e de continuar por cá, sinto-me felicíssimo. E nem consigo explicar bem porquê. E isto ainda um ano depois.

Eu já havia dito e volto a dizer uma coisa que o Japão me ensinou: o dinheiro não é tudo e é importantíssimo que estejemos completos com o que fazemos, com os que nos rodeiam. Bem pode parecer idílico isso acontecer e bem sei que há muita gente por aí que se conforma e que tudo o que faz é lamentar-se em vez de tentar ser feliz. E a felicidade é tão diferente para todos nós. Eu não preciso de um carro, mas há quem gaste fortuna num. Eu gosto de viajar, mas há quem se sinta bem em ir para o mesmo sítio sempre que pode.

E depois há a parte pessoal e não profissional da coisa. Há quem esteja bem com alguém. Com mais do que um alguém ao mesmo tempo. Ou sozinho. Tudo depende. Mas o que importa, acho eu, é que nos sintamos bem.

Também é verdade que nem sempre temos aquilo que podemos. Mas senão formos à luta, como a primeira amiga que referi, ficamos à espera que a felicidade nos venha bater à porta, ou como é que é? É que a gaja não costuma fazer visitas ao domicílio. A não ser que venha em forma de pizza.

Pois bem, minha gente, ser feliz é das coisas mais importantes do mundo. Portanto vão lá sê-lo, 'tá?




*desculpem lá a private joke, mas tem que ser...

6 comentários:

Vanessa disse...

Dos posts teus que mais que gostei. A felicidade não é perene, é um estado mas é verdade quando dizes que há aqueles que pura e simplesmente desistem de tentarem ser felizes.
E, muitas vezes, arriscar, recomeçar, sair da zona de conforto e sar 1 salto para o desconhecido é mesmo a melhor forma de lá chegar!
Beijos mil, kikinho.

Pulha Garcia disse...

A chave da felicidade são as pessoas de quem gostamos e que gostam de nós. Por isso é que com o grupo certo até umas férias na Costa da Caparica podem ser excelentes e com o grupo errado até umas férias na Polinésia Francesa podem ser horríveis.

(A tua vida em Portugal é tão interessante como a tua vida no Japão. Sucede apenas que eu gostava particularmente de ver as fotos e vídeos do Nipon)

Daniel Silva (Lobinho) disse...

E há quem esteja sempre bem com todos, o que me merece sempre desconfiança, porque o respeito e a amizade são uma coisa, mas o estar sempre bem no sentido de gostar de todos os outros, equivaleria a uma autonegação... ou cinismo.

Gosto quando reflectes assim, muito embora conheça muito do teu pensamento. So nao sei se basta sentirmo-nos bem! É essencial, mas talvez nao baste, porque temos de ter a noção de que sentirmo-nos bem nao poderá ser uma forma encapotada e inconsciente de nao fazer mais nada, ainda que isso possa trazer danos ao proprio. Uma espécie de consciencia tao limpa e tranquila que, no fundo, nem se apercebe que nao está a ser consciente.

Essa da lamentação de que tao bem falas, resvala também muito facilmente para a crítica gratuita e para a reclamação sem mais quês: só porque sim. Sou apologista de pormos o dedo na ferida, apontar o que tiver de ser apontado, mas nao reincidir e muito menos redundar como se fosee mais um vúicio do que uma reclamção. Seja do que for.

A temática da felicidade que aqui trazes tem muito mais componentes. Tantas que nunca lhes chegamos a todas porque também nos mudamos (ou pelo menos devíamos) no devir do tempo. Mas a felicidade nao ém, no dizer de Brandhey, um ponto de chegada, mas um modo de viajar. E por isso viver é um desporto de uma exigência maior do que qualquer um de nós possa supor. Implica conhecimento, mudança, humildade, sabedoria, paciência, abnegação, coragem, determinação, força, e uma noção ampla de que somos mais do que o intelecto no seu sentido egótico que simplesmente destrói pessoas... por coisas como as que falas...

É importante que ESTEJAMOS completos, desde que saibamos que nunca o estaremos. Por definição somos incompletos. Mas ter noção disso é caminhar a passos largos para a felicidade de que falas.

O teu abraço

P.S. - Gostei do "asérei ê" (quero la saber agora como se escreve) na versão classica, embora me desse mais gozo a outra ;););) Ainda te lembras da do armário certo? (um fulano e um gordalhufo? loool estou a ter uma imagem mental de nos ha uns anos ;)

Daniel Silva (Lobinho) disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
ψ Psimento ψ disse...

E o que é felicidade para mim será dificilmente felicidade para ti. As vezes basta-me ver um desenho animado para ficar feliz. Concordo que o dinheiro não é mais importante, mas é um patamar importante. Todos pensamos em alcançar a felicidade, eu considero-me um felizardo. Sinto-me feliz, podia estar melhor mas vou trabalhar para lá chegar. Um abraço.

pinguim disse...

Percebo-te bem, amigo; e há algo que nunca esquecerei em ti: teres aceitado a minha amizade e sabes perfeitamente a que me refiro.
Isso é uma forma de viver a felicidade: saber viver com os outros, com TODOS os outros!
Obrigado!