Nao ha cu que aguente isto, juro palavra d'honra!
Isto a proposito da bomba que explodiu junto a embaixada da Dinamarca em Islamabad. Aparentemente ainda por causa da publicacao dos famosos cartoons de Maome.
Estas coisas dao-me voltas a barriga. Abomino qualquer tipo de fundamentalismo religioso, seja quando se apedrejam mulheres ate a morte, seja quando se diz nao ao preservativo, seja quando se condenam homossexuais, seja quando mandam putos para campos de ferias para lavagem cerebral. As pessoas tem todo o direito a crer no que bem entendem, que a mim pouco me importa, mas ha que respeitar quem nao cre, quem ve numa crenca desmesurada um perigo para todos e um perigo aos seus direitos e que, como tal, zomba delas!
Hoje em dia, ha uma grande sensibilidade no que toca a estas questoes. Na Europa, por exemplo, fruto ainda da luz renascentista, respeita-se a religiao, a liberdade de pensamento. O Reino Unido, pelo que li, ate retirou as referencias ao Holocausto dos seus curriculos escolares por poder ofender os muculmanos. Mas quando se chega a Arabia Saudita, o desrespeito pelas minorias e enorme. Ou ate na Turquia, onde os cristaos sao ainda perseguidos. Ou no Iraque (entre outros) onde sunitas e xiitas nao se entendem.
Nao falo de "eles" contra "nos", porque acredito que nao ha aqui um choque de civilizacoes. O que ha, como houve em tempos idos (e talvez ainda) na Cristandade, e uma mao cheia de loucos fanaticos que mandam nos rebanhos. Sao estes loucos, alias, que incutem o odio e as ideias erradas que levam ao extremismo que vemos.
So assim se entende que as massas que sairam as ruas depois dos cartoons dinamarqueses (e ainda ontem no Paquistao) nao percebam que o Estado e a liberdade do jornal em publicar o que bem lhe aprouver sao duas coisas separadas, em que o primeiro nada pode fazer para impedir o segundo. Sim, que os fanaticos islamicos (e nao so!) nao entendem isto! O Estado e a religiao devem ser coisas dissociadas, para bem do respeito por todos!
Mesmo em Portugal, quando a Igreja se tenta imiscuir nos assuntos do Estado (veja-se a questao do aborto, da nocao de familia, etc), nao consigo entender. Pode dizer-se que a Igreja representa um vasto numero de cidadaos. Mas sera mesmo assim? Nao estara a Igreja a representar-se a si mesma, tentando impedir as livres escolhas que quem nao cre nela?
A mim pouco me importa no que as pessoas creem. Se querem acreditar em Baco, na Virgem Maria, em Maome, no Buda reencarnado ou na Branca de Neve nao quero saber. Mas nao posso admitir que se tente castrar os direitos dos demais em nome da religiao e sobretudo que uns tontos partam a loica toda cada vez que se sentem ofendidos! Get a life!