sábado, maio 06, 2006

Angelo vai a Nagasaki!



Era uma vez um Angelo que vivia em Oita e se meteu na carreira a caminho de Nagasaki para encontrar o seu amigo Joao, que esta de visita ao Japao. Alias, e uma daquelas pessoas que aproveitou o facto do Angelo estar no Japao para o vir visitar... Nao sei se estao a ver!?
Pois bem, o Angelo meteu-se num autocarro por quatro horas e la chegou a Nagasakieki, a estacao de Nagasaki e la estava o Joao a sua espera. O pior vem agora... Vimos tanta coisa e andamos por tanto sitio que espero nao me esquecer de nada...

A primeira paragem foi a pousada da juventude Ebisu em Nagasaki, nao muito longe da dita estacao. Chegamos la, preenchemos os papelotes com os nossos nomes e tudo mais (o Joao bem que nao queria preencher tudo, mas - c'est le Japon - a senhora fe-lo preencher tudo!) e depois a filha da senhora que nos recebeu levou-nos ate ao sitio onde iamos ficar as duas noites, nao muito longe dali. Um hotelzinho. O Green Hotel. A primeira fotografia mostra a nossa linda vista do nosso quartinho. Mas tambem nao estranhem porque o Japao e mesmo assim.
Antes de continuar, um pequeno aparte muito interessante: as pousadas da juventude neste pais sao sobretudo de gestao familiar... A familia mora ali mesmo - num espaco a parte, claro - e aquele e o negocio da familia. Tem vantagens e desvantagens, claro. Sobretudo o recolher orbigatorio e os horarios para os banhos!

Isto foi no Domingo a noite, a noite em que o Joao conheceu a Yoshinoya pela primeira vez. E pelos vistos gostou, porque ja la voltamos mais duas vezes entretanto!
No dia a seguir, metemo-nos pelos caminhos de Nagasaki. Devo confessar que estava um pouco - nem sei bem a palavra - ansioso, porque, afinal, foi ali que caiu uma das bombas atomicas lancadas ha quase 60 anos...
As primeiras fotografias sao do porto da cidade. Um porto natural fantastico, pelo que da para ver. E tivemos a sorte de ver uns barcos que estavam la para um festival que acontece por esta altura do ano... E, mesmo ali, ha um parque, o que e fantastico, porque como o espaco e escasso neste pais, quando vejo um jardim fico doido!
E uma coisa que desconhecia antes de comecar a ler sobre Nagasaki e que Nagasaki ja tem, nao um parque infantil, mas sim electricos. E tirei umas fotografias para partilhar convosco.

Depois do porto fomos a Dejima, ao unico sitio no Japao que estava aberto ao comercio internacional durante os tempos em que o Japao se isolou do mundo. Dejima era uma ilha artificial que comecou a ser construida em 1634, ou seja, quando Portugal ainda valia alguma coisa. Como disse, era uma ilha artificial, mas ja nao o e! Alias, nem esta junto ao mar. E interessante ver como a cidade se desenvolveu em volta do porto, abracando a dita ilha.
Mas voltemos a aula de historia... Os portugueses foram confinados a ilha, mas acabaram por ser expulsos quando os japoneses comecaram a olhar o catolicismo como uma ameaca. Ora, como nao ha bela sem senao, meteram la os holandeses que por ali ficaram ate ao seculo XIX, ja a Aida era uma mulher feita! Ou seja, a influencia na ilha e marcadamente holandesa, muito embora haja referencias a presenca lusa - ate ha um modelo de uma nau!. As fotografias falam por si e mostram o quao pequeno era aquele enclave do ocidente no Japao!
Vimos aquilo tudo, desde os guardas a porta ate a residencia do chefe da fabrica na ilha, ao seminario protestante e ao edificio de pedra dos armazens. Mas chique chique foi o nosso pequeno almoco - que saudades tenho eu dos cafes em cada esquina de Portugal - no edificio do antigo Nagasaki International Club. Nao foi um pequeno almoco farto - afinal, estamos no Japao - mas a apresentacao da coisa, o sabor da coisa e ate o design da chavena eram daqui (agora estou a abanar o lobulo da minha orelha).
Depois da fotografia do pequeno almoco, surge um movel com os nomes dos membros do clube, escritos pelas proprias pessoas... do seculo XIX.

Dejima tem, como seria de esperar, muitas exposicoes, desde fotografias do Japao antigo, a uma escultura oferecida por Portugal, a uma maquete da propria ilha, a amostras arqueologicas da zona. Muito interessante.

Para terminar o passeio em Dejima, um dos guardas a porta tirou uma fotografia a moi meme e ao meu carissimo amigo Da Costa de Carvalho na balanca que servia para pesar o acucar que entrava e saia na ilha. Felizmente, a balanca nao tombou para o meu lado... Seria porque ja nem se mexe!?

E como Nagasaki e um sitio muito peculiar e que esteve aberto a influencia estrangeira nos tempos em que o resto do Japao vivia isolado, tambem tem uma Chinatown. So nao tirei mais fotos, porque hei-de ir a China...
E de um pedaco da China, fomos para um pedaco da Holanda, ou melhor, da Europa, nas Dutch Slopes, uma zona ainda hoje ja varias casas com arquitectura ocidental. Incluindo um hospital. E onde ate encontrei uma bandeira portuguesa!

A cidade de Nagasaki esta rodeada por montanhas e nos subimos a duas delas. A primeira foi na zona de Clover Gardens. Nao chegamos a visitar os jardins, porque era caro e podiamos descer de graca, por entre o Japao profundo (Da Costa de Carvalho dixit)! E ate nos queriam cobrar para entrar numa igreja! Tsss tsss!

Ja na zona baixa da cidade, demos com a minha primeira fabrica de tatami, aqueles tapetes que se vem nas casas japonesas, que parecem de palha. Muito interessante. Alias, achei que Nagasaki tinha muitas oficinas artesanais e afins.

Depois disto chegamos ao Peace Park - que todas as cidades neste pais parecem ter. Mas que aqui e especial. Este parque da paz celebra, como e obvio, o anseio pela paz. A zona foi directamente atingida pelos efeitos da bomba, embora nao tenha sido o epicentro. Mesmo assim, uma prisao que existia ali, e da qual se podem ver as fundacoes, foi completamente destruida. E a estatua tem toda ela um significado: o braco erguido aponta para a ainda existente ameaca nuclear; o braco esquerdo simboliza a paz; a perna direita flectida indica uma calma meditacao; a perna esquerda esta pronta para dar assistencia a humanidade; os olhos cerrados mostram uma oracao em nome de todas as almas perdidas em todas as guerras.

Depois do parque, fomos ao epicentro. O sitio sobre o qual a bomba explodiu. Esta la um marco negro e, ao lado, parte das ruinas de uma catedral. Em volta, um parque e em volta do espaco verde, a cidade. Ainda hoje me espanto como e que a cidade se desenvolveu tanto e tao depressa apesar de ter sido arrasada por uma bomba nuclear!
A bomba caiu sobre a cidade no dia 9 de Agosto de 1945 as 11 horas e 2 minutos. Alias, podem ver-se uns quantos relogios no museu da boma atomica que pararam nesse preciso momento.

O museu da boma atomica e ali mesmo naquela zona. Um edificio de tracos modernos e que mostra a devastacao da guerra. Mas nao explica a razao do uso da bomba. Alias, eu e o Joao ainda agora nao concordamos sobre este assunto, porque eu continuo a defender que nao ha razao alguma para o uso de uma bomba atomica sobre uma cidade cheia de gente. Mas passemos a frente!
Alias, a bomba era para ser lancada sobre Kitakyushu - lembram-se do castelo ha uns posts atras? - mas a nebulosidade obrigou o aviao a lancar bomba sobre Nagasaki, na altura um porto muito importante, com uma grande industria de construcao naval e de armas.

Mas deixemos de falar de coisas que, quer queiramos, quer nao, sao sempre tristes de recordar... Depois disto tudo, fomos ao monte Inasa, do lado oposto do rio. Estava muito vento la em cima, mas foi muito giro apanhar o teleferico e ver a cidade de um lado e puro campo do outro... Tal como no topo do Victoria Peak em Hong Kong!
Alias, Nagasaki parece ser um misto de Amsterdam - a agua e a alguma arquitectura - e de Macau - a confusao e o caos.

No dia seguinte, antes de rumarmos ao nosso proximo destino, fomos a um monumento que lembra os martires cristaos que foram mortos em 1597, entre eles quatro jovens japoneses que haviam sido enviados para Lisboa (!) com quatro anos para serem ordenados padres. Isto de viajar com o Da Costa de Carvalho tem estas coisas: ele sabe TUDO!
E ao descer deste monumento, deparamo-nos com um cafezinho muito simpatico, muito parecido com aquilo de que sinto falta. E o pequeno almoco foi optimo!
Antes de deixarmos a cidade ainda paramos na Spectacles Bridge (a ponte dos oculos) - assim chamada por causa do efeito do seu reflexo na agua. Sinceramente, nao vale a pena la ir. Nada de extraordinario...

To be continued!

4 comentários:

Mari disse...

Kiko, desculpa só comentar este último, mas pronto, assim vê-se tudo de uma vez e depois comenta-se.Tudo muito bonito, para variar, por isso vai gravando numa cassete as explicações para quando eu aí for, ouvistesss?! Fartaste-te de passear, meu trongo!lol Vai mas é trabalhar k é pra isso k te pagam os japonocas...lolol

grandes beijocos ;)))
Mari

Da Costa De Carvalho disse...

TSSS TSSS TSSS

Para que conste a quem tiver lido este capítulo da estadia do Angel em terras nipónicas:

dA cOstA dE cArvAlhO não concorda com bombas atómicas, nem com a morte de inocentes e muito menos com danos colaterais por via de guerra...

Mas os milhares que morreram para salvar os milhões que se calhar ainda iriam morrer, fazem-me pensar...

e quando penso mesmo muito, não posso esquecer Pearl Harbour...

TSSS TSSS TSSS

Ahhh... e Angel... eu também estive em Hiroshima e... por comparação, Nagasaki parece mesmo 1 espectáculo mal montado.

De qualquer modo... Desejo Paz a todas as vítimas (abuso, descriminação e, afinal porque não?, também guerra)

Sayonara, Angel!

chewy disse...

Hey angel! i couldn't stop laughing at the pics of you people looking silly with the crabs on your heads! Haha! Keep it going! X-)

Anónimo disse...

Awesome Angelo! your a great photographer and model!