sábado, fevereiro 24, 2007

Atencao

Para os amantes do que e bom, queiram dar uma espreita a minha side bar (que podera estar, wooops, no final da pagina) e vejam o video...

Capricciosa ou o fim de uma era

A Capricciosa fechou esta segunda feira. O unico restaurante italiano acessivel (em termos de localizacao, preco e variedade) no centro da cidade fechou. La se vai o restaurante onde eu ia, sozinho, quando nao me apetecia cozinhar (o que ultimamente tem acontecido por demais) ou onde iamos de vez em quando so porque sim.
Queria ter tirado uma "poligrafia" a toda a gente (eramos 8), mas so houve bateria para o Raph e para a sua bela sobremesa!


Agora, para mais Capricciosa so no Park Place ou em Wasada! Nao ha condicoes!

Finissimo: sushi night!

Ha ja quase duas semanas (estive a espera que a Kaori me mandasse umas fotos), houve um petit rien em casa do Peter: uma sushi night. Eu ate nem sou grande fan de sushi. E o Peter sabe-o. Por isso, havia tambem toriten (galinha frita), sopinha da boa e havia tambem a opcao de se fazer sushi sem peixe... Se e que isso e tecnicamente possivel!
E no meio disto, havia tambem sake quente. Eu, claro, debiquei o belo do licor de arroz, mas fiquei-me pelo delicioso sumo de maca. No final do jantar, a Heather e o Ronan ja estavam mais para la do que para ca! Maldito sake!













Para que se saiba, wasabi a mais tem um efeito muito preverso: ficamos com umas caras muito estranhas. E encarnadas!


E ca fica, para a posteridade, a serie "Angelo a comer sashimi de lula, ou seja, lula crua". Inclui, ate, angulos nunca vistos!




Ainda bem que nao estava ranhosinho!

terça-feira, fevereiro 20, 2007

Anime Weekend

Aveiro esta geminada com Oita ha ja muitos anos. E, este ano, o Anime Weekend esta de volta! Sim, eu sei que ainda falta algum tempo para Maio, mas eu nao podia deixar de partilhar esta espectacular iniciativa convosco. Alias, exorto-vos (olhem-me bem o nivel!) a irem ate Aveiro (eu nunca la fui... mas toda a gente me diz que e uma cidade fantastica) e tomarem parte num pouco do Japao. Tenho a certeza de que nao se arrependerao. Por Aveiro e pelo Japao (o nivel continua la bem alto, depois desta bela rima)!

Funeral

Uma das minhas alunas do oitavo ano falaceu ha uns dias. Ela tinha entrado num misterioso coma, depois de ter desmaiado num dos banhos japoneses. Nao quis indagar demais, mas ninguem me soube dizer o que lhe causou a morte.
Hoje foi o seu funeral. E eu achei por bem que deveria ir, para lhe prestar a minha homenagem. E tudo foi tao diferente.
Alguns professores (incluindo o presidente da escola) e os alunos do oitavo ano foram a pe ate a um centro funerario (nao e um templo, mas sim um sitio onde se realizam as cerimonias funebres) perto da escola. Ai, sentamo-nos e aguardamos pelo inicio das exequias.
Ouviu-se uma voz pelos altifalantes a dar incio a cerimonia.
Na sala, havia um grande altar com fotografias da rapariga e alguns objectos pessoais, incluindo o material que usava no clube de tenis. Em frente do altar, o seu caixao branco. De lado, cadeiras para os professores. Do outro lado, cadeiras para a familia. No resto da sala - e fora desta, onde acabei por me sentar - defronte para o altar, mais cadeiras para todos os convidados.
Entraram duas pessoas. Um homem e uma mulher vestidos com roupas tradicionais, mas nao kimono. Vim a saber que ele seria um sacerdote... Ela... Ninguem me soube explicar. Cantaram alguns canticos inciais. Depois, foi altura de prestar homenagem a falecida. Primeiro o pai, depois a mae e a irma, a restante familia, os professores, os alunos e outras pessoas. Todos fizeram o mesmo: aproximaram-se do altar e do caixao, pegaram num pouco de incenso em flocos, chegaram-no a testa e colocaram-no a arder em pequenas tacas, unindo as maos de seguida, rezando.
Eu fiz o mesmo.
Enquanto todos os presentes prestavam a sua homenagem, o sacerdote e a tal senhora continuavam nos seus canticos incessantes, marcadamente pesados. Sempre a capella, intercalado com batidas num pequeno sino.
Depois disto, a mesma voz que dera inicio a cerimonia, continuou a dar instrucoes. Por esta altura, havia muita gente a chorar. Os miudos da turma dela, a familia, os professores. E foi altura de se fazer a elegia. Primeiro uma aluna do clube de tenis. O seu discurso estava amputado pelas lagrimas que lhe caiam e pelo choro dos outros. Depois uma representante dos alunos.
De repente (mas de forma planeada, claro), aqueles que haviam sido os seus companheiros de turma levantaram-se e cantaram todos juntos para ela. Um momento lindo, como seria de esperar que terminou com muitas lagrimas de todos.
Por fim, o pai falou. Somente o pai. Percebi que agradeceu a todos.
A cerimonia per se tinha terminado. A familia colocou-se em linha junto a porta de saida e todos os presentes fizeram uma ou mais venias em frente a familia, como o ultimo conforto.
Toda a gente se perfilou fora do edificio, esperando o carro funerario passar. Os animos ja estavam um pouco melhores, mas a dor voltou quando se viu o mesmo caixao branco deixar o edificio, entrar no carro funerario e partir para o seu ultimo destino. O pai seguiu junto da filha. A familia seguiu-se-lhe em carrinhas e mae seguiu, por fim, com a outra filha, conduzindo o seu carro e, mesmo assim, com o semblante carregado, agradecendo a todos.

Nao chorei. Pela primeira vez, fiquei satisfeito por nao perceber japones. Sei que se entendesse as palavras teria sido bem pior. Mas uma coisa e certa: a dor e sempre sentida da mesma forma. Curioso e ver que ninguem se abraca ou beija ou se conforta de forma desbragada.

Uma cerimonia exemplar, infelizmente pela pior da razoes. Nunca me esquecerei de quando o meu avo morreu e o padre, no seu discurso do costume, nem o nome do Norberto conseguia ler...

Escrevi tudo isto, de forma corrida, sem pausas, porque nao fiquei indiferente ao que vi. E precisava de exorcisar a minha pena de alguma forma. Obrigado.